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Encontro com Anna Botter – A força de uma mulher livre

Descubra a história de Anna Botter, uma mulher que construiu a própria liberdade. Um encontro que fala sobre paixão, mar, Salento e a coragem de viver uma vida autêntica.

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Existem pessoas que não podem ser simplesmente descritas. Elas precisam ser vividas, conhecidas aos poucos, na pele, na voz, no riso. Anna Botter, para mim, é uma dessas pessoas raras que, quando entram na sua vida, deixam uma marca luminosa e inesquecível.

Para mim, foi assim desde o primeiro momento. Ela é uma amiga do coração, uma presença constante mesmo nos momentos mais sombrios, uma mulher generosa e luminosa que sabe ser porto seguro, mas também vento que te impulsiona para frente.

Anna é energia, beleza, paixão. Ama o mar como se ama um reflexo da própria alma, ama as cores com o mesmo entusiasmo com que vive a vida, ama a liberdade como um verdadeiro credo pessoal. E o mais extraordinário é que essa liberdade não é apenas um ideal: é algo que ela construiu dia após dia, com escolhas corajosas, visão e dedicação. Muito antes de o mundo começar a falar sobre liberdade geográfica e independência financeira, ela já estava traçando esse caminho. Hoje vive no Salento, e todos os dias o mar a recebe como uma cúmplice silenciosa.

Mas dentro de Anna existem muitos outros mundos: a pintura, o bem-estar, a beleza autêntica que nasce de dentro, o entusiasmo de quem continua aprendendo, compartilhando e inspirando. Esta entrevista quer contar um pouco de tudo isso. Não é uma biografia, mas um percurso de vida. E, como todo encontro que deixa marca, começamos por quem ela é, de verdade.


1 – Anna Botter: se hoje você tivesse que se descrever com as palavras do coração, como se definiria? Quem é Anna, de verdade?

Anna hoje é uma mulher de quase 64 anos que ama a própria liberdade, que quer conhecer o mundo e viver um pouco aqui, um pouco ali… sem amarras. Não sente o peso da idade, embora sorria ao lembrar de como via as mulheres da sua idade quando tinha 20 ou 30 anos. Acredita que todos os dias existe algo especial a ser vivido e que sua curiosidade continua sempre no máximo.

2 – Você sempre foi uma mulher independente, livre, apaixonada. Quando nasceu em você essa fome de liberdade?

Eu nasci livre. Lembro que, quando estava prestes a me casar com meu primeiro ex-marido, ainda na conversa com o padre, perguntei: “Mas se um dia não dermos certo, podemos nos separar… não é?” Eu ainda não tinha 20 anos e estava convencida de que o casamento poderia ser uma experiência bonita.

Mas na minha vida, depois da morte prematura do meu pai — eu tinha apenas 19 anos e era recém-casada — entendi que a vida é imprevisível. Hoje você está aqui… amanhã, não se sabe. É por isso que ela deve ser vivida, não apenas sobrevivida.

           

3 – Na sua opinião, essa sua sede de liberdade sempre fez parte do seu caráter? Ou foi algo que você construiu, descobriu, aprendeu ao longo dos anos?

A minha vida “maravilhosa”, sempre vivida em aceleração, é o “presente” que recebi com a morte do meu pai… ele sempre dizia que estamos apenas de passagem. Dei o meu melhor como irmã mais velha, como uma segunda mãe, já que minha mãe estava muito envolvida com os negócios da família.

Meu pai viajava muito e sempre nos fazia sonhar com suas histórias — e, principalmente, com os presentes que trazia de todas as partes do mundo. Talvez por isso, nós cinco filhos viajemos tanto até hoje.

4 – Você tem uma grande capacidade de comunicar, inspirar e motivar quem está ao seu redor. Quanto dessa atitude é algo inato e quanto é fruto de experiências, encontros e formação?

Sempre fui muito sociável, desde pequena. Mas preciso dizer que houve uma pessoa com quem fiz formação durante 15 anos e que se tornou meu mentor, quase um segundo pai: Jim Rohn.

Para mim, foi um presente poder conhecê-lo e estar ao lado dele tantas vezes, aprendendo sobre a vida.

5 – Nos anos 80 e 90, quando ainda poucos falavam sobre liberdade geográfica ou financeira, você já sonhava — e construía — um outro estilo de vida. De onde vinha essa visão?

Viajar foi algo natural para mim. Eu já tinha conhecido o mundo através dos olhos do meu pai. Visitei 87 países — e ainda visitarei muitos outros. Meu único lamento é nunca ter feito uma viagem com ele. Partiu cedo demais.

6 – Sua primeira atividade profissional foi no universo dos brindes corporativos e presentes promocionais. O que você guarda daquele período da sua vida profissional?

Foi uma fase muito bonita e interessante. Permitia que eu conhecesse muitas pessoas e, além disso, era o momento de ouro dos brindes promocionais para empresas. Muito trabalho, muitas conquistas e — por que não? — ótimos ganhos também.

   

7 – Depois você conheceu o universo do marketing de rede. O que despertou em você quando percebeu que aquele poderia ser o seu caminho?

Eu já viajava antes de trabalhar com marketing multinível, mas entendi que poderia construir uma renda recorrente. E isso tem um valor inestimável.

8 – O que o networking lhe ensinou sobre trabalho, relacionamentos e sobre a própria vida?

Ensinou… tudo. Tenho um enorme respeito pelas pessoas que caminharam ao meu lado nesses 34 anos.

9 – Naqueles anos você se tornou uma verdadeira líder, capaz de formar equipes, motivar e ensinar. Como se constrói uma liderança que realmente deixa marca?

Para mim, sempre foi algo natural. Muita paixão. Sempre fui eu mesma — e antes do negócio, vinha o coração.

10 – Que papel teve a paixão — aquela verdadeira — na sua trajetória?

Foi fundamental para eu me tornar quem sou hoje.

11 – Você viveu momentos difíceis, como todos nós. Ainda assim, quem a conhece diz que sua energia é contagiante. Onde você encontra força nos dias menos fáceis?

Bela pergunta… acredito que eu saiba. Os dias difíceis servem como impulso para melhorar — então, que sejam bem-vindos. Às vezes, de uma crise nasce um renascimento maravilhoso. Eu sei quanto valho e o quanto posso realizar. Simplesmente isso.

12 – O mar é um elemento essencial na sua vida. Você sempre viveu perto da água: de Mestre à Riviera del Brenta, até o Salento. O que o mar representa para você?

O mar me traz paz e me faz bem. O Salento e seu mar me ajudaram muito no ano passado, quando minha mãe partiu. É verdade que os corpos têm um fim — ela completou 94 anos em janeiro — e no dia 24 de abril se foi enquanto dormia.

Minha mãe foi o meu farol, a melhor pessoa que conheci em toda a minha vida. Uma amiga sempre pronta a me ouvir, sempre pronta a me encorajar. Ela sempre dizia: “Anna, você consegue.” Com os conselhos dela, tudo parecia possível. Não foi fácil deixá-la partir, mas penso na imensa sorte que tive por tê-la como mãe.

13 – Hoje você vive no Salento, em contato direto com o mar, quase em uma relação mística com a natureza. Como nasceu essa escolha?

A “culpa” é da Monica e do Antonio, que decidiram se mudar para lá. Monica me envolveu na mudança e também no casamento deles.

Quando você trabalha com marketing multinível, pode viver onde quiser — e foi assim que, graças a eles, conheci essa terra maravilhosa.

14 – Antes da Puglia houve a Riviera del Brenta, com sua elegância, suas vilas e passeios de bicicleta… De que forma os lugares onde você viveu a influenciaram?

Viver quase 20 anos na Riviera del Brenta me fez muito bem. Amo aquela região e conheço cada estrada perto daquelas maravilhosas vilas venezianas.

15 – Seu estilo de vida é feito de beleza, cuidado e bem-estar: para o corpo e para a alma. O que significa, para você, cuidar de si mesma?

Eu sou preciosa — e preciso cuidar de mim. Por isso, pela manhã faço minhas caminhadas, nado, utilizo excelentes suplementos em nanotecnologia. Tudo isso pelo meu bem-estar, já que tenho apenas um corpo para viver.

16 – Quais são seus rituais diários, os pequenos gestos que a fazem se sentir bem, viva e centrada?

Todos os dias preciso ir ao mar. Já aprendi a entrar na água o ano inteiro. Conheço pessoas que, como eu, amam o mar — e juntos fazemos caminhadas maravilhosas.

17 – Que conselho você daria a uma mulher que hoje se sente prisioneira da própria rotina e sonha com uma vida mais livre e autêntica?

Eu diria para não ter medo. Siga os seus sonhos. Tudo é possível, basta querer de verdade. If you can dream it, you can do it!

18 – Existem livros, pessoas ou experiências que a inspiraram profundamente ao longo do seu caminho?

Como disse antes, tive o grande privilégio de viver 15 anos de formação com Jim Rohn. E sempre tive uma família maravilhosa, muitos irmãos e irmãs… além de oito sobrinhos que são uma alegria constante na minha vida.

   

19 – E hoje, o que existe no seu presente? Quais são seus projetos, seus dias, seus pensamentos?

Hoje vivo cada dia construindo o meu futuro e alimentando os meus sonhos. Onde vou morar em 2026? Continuarei no Salento ou surgirão novos destinos? Quem sabe… eu ainda não decidi.

[E ao final, uma nota do coração…]

Deborah, que conheci em Pádua há muitos anos, tornou-se uma amiga querida. Não importa se ela mora no Brasil e eu na Itália. Já estive na casa dela algumas vezes — e devo dizer que gosto muito do Brasil.

Tive o grande privilégio de conhecer tanto o seu pai quanto a sua mãe, pessoas tão especiais que formaram uma filha igualmente especial como você, Debby.

Obrigada por esta linda entrevista. Amo você. — Anna

E eu te agradeço, Anna, por ter aberto o coração e compartilhado um olhar tão autêntico da sua vida.

Mas esta é apenas a primeira parte do nosso encontro. Em breve, contaremos também outro lado fundamental da sua trajetória: o seu trabalho, seus empreendimentos, a sua visão de negócio.

Porque por trás de toda liberdade conquistada, existe sempre uma missão. E a sua, temos certeza, merece ser conhecida.

 

Encontro com Anna Botter – A força de uma mulher livre
Deborah Jappelli

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